[Resenha] Birdman – ou A Inesperada Virtude da Ignorância

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Desde que ouvi falar pela primeira vez no filme Birdman, já senti algo de especial. Todas as críticas diziam que o filme era diferente de tudo que já tinha sido feito, original e bastante surpreendente. Fui pesquisar mais detalhes e acabei me apaixonando pelo roteiro. Realmente, era algo que eu nunca tinha visto até então. Estava tão ansiosa que não via a hora de ter minha opinião. Mas demorou viu, gente! Foram meses de muita expectativa (que renderam até uma aparição no post dos filmes mais aguardados de 2015) até que eu finalmente matei minha curiosidade.

O filme entrou em cartaz no Brasil no dia 29 de janeiro e eu, que não sou boba nem nada, fui ver logo no dia seguinte. Recordista de indicações ao Oscar deste ano – são nove no total -, vi centenas de pessoas falando muito bem e poucas falando mal. Sentei na sala e vi que a nota do IMDB estava caindo. Pronto, ali eu tive certeza de que não ia gostar. Deu até um medinho de sair de lá frustrada.

Para quem não sabe, o filme conta a história de Riggan Thomson (Michael Keaton), ator que ficou conhecido por interpretar a trilogia do super-herói Birdman há 20 anos. Quando ele recusou fazer a quarta parte da série, as coisas começaram a dar errado para ele. Seu casamento acabou, sua filha ficou viciada em drogas e sua carreira nunca mais decolou. Tudo que lhe resta é tentar dar a volta por cima fazendo a adaptação de um texto para a Broadway.

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Levei algum tempo para entender a pegada do filme. Os dez primeiros minutos me pareceram confusos porque ele é inteirinho gravado como se fosse em plano sequência, ou seja, sem cortes. E, como o espectador cai no meio de uma história já encaminhada, é preciso ficar atento para entender o que está acontecendo.

Não sei precisar em que momento começou o meu encantamento. Talvez quando o Edward Norton aparece e rouba a cena de todos. Até então eu tinha uma única certeza: de que ele não estava tão bem em um filme desde que fez A Última Noite. Nos momentos em que ele contracena com o Michael Keaton, eu me perguntei se ele não estaria interpretando ele mesmo, um ator capaz de conquistar a atenção de todos. E, verdade seja dita, ele só não vai ganhar o Oscar porque teve o azar de concorrer junto com o J. K. Simmons, que faz o professor do mal em Whiplash.

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Da metade para o fim, o filme muda completamente e passa a focar mais na relação entre Riggan e uma voz interior nada agradável que lhe diz o que fazer. Ficamos sem entender muito bem de quem é essa voz, até que ela se apresenta como o próprio homem-pássaro que ele interpretou há tantos anos. Ela nada mais é do que o alter ego de Riggan. No meio de toda essa confusão, ele tem uma epifania daquelas.

O filme é tão bom que mistura elementos psicológicos com comédia. O cara que estava sentado atrás de mim ria tanto que eu comecei a rir por causa da gargalhada dele. E assim como eu precisei de alguns minutos para entrar no ritmo da história, também levei alguns minutos para entender o que ele realmente quer dizer.

Birdman

Birdman, para mim, tem muitas coincidências com Cisne Negro, meu filme favorito de todos os tempos. Riggan e Nina, a incrível bailarina de Natalie Portman, têm problemas muito fortes de autoestima e sofrem com a cobrança de familiares, amigos e chefes. Ambos estão com um desafio enorme nas mãos e precisam enfrentá-lo onde? Sim, nos palcos. Eles também se sentem ameaçados com a chegada de colegas que são muito bons no que fazem (tanto a bailarina novata feita pela Mila Kunis quanto o ator metido interpretado pelo Edward Norton).

Os dois precisam lidar com sentimentos, visões e vozes pra lá de esquisitas. Eles atingem o ápice da loucura. Nina encorpora o sensual e poderoso cisne negro, enquanto Riggan resolve voar no tempo. Percebem que só há uma maneira de resolver. E, no fim, sabem que conquistaram o que mais queriam.

Olha aí o Riggan e a Nina quando estão no auge da loucura. Vai falar que não estão parecidos?

Olha aí o Riggan e a Nina quando estão no auge da loucura. Vai falar que não estão parecidos?

Com direção de Alejandro González Iñárritu, o longa não se parece em nada com os outros que ele tinha feito, como 21 Gramas e Babel. Mesmo assim, foi uma proposta ousada que agradou em cheio. Claro que sempre teremos quem não vai concordar, mas a vida funciona dessa forma. É do tipo que te prende do começo ao fim. E, quando termina, você percebe que não poderia ter outro final.

Sabe aquele filme esteticamente perfeito? Roteiro maravilhoso, elenco afiadíssimo, edição impecável… Não foi à toa ter sido indicado em nove categorias, incluindo melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor ator coadjuvante e melhor atriz coadjuvante (para Emma Stone, que está bem e engraçada de um jeito só dela).

Valeu cada segundo de espera. Já estou na torcida para que o Michael Keaton ganhe ou para que o filme todo seja premiado. Se for possível, os dois juntos, por favor!

Avaliação: ♥♥♥♥♥ (se pudesse, colocava mais uns mil coraçõezinhos)

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2 comentários sobre “[Resenha] Birdman – ou A Inesperada Virtude da Ignorância

  1. Pingback: [Resenha] A Teoria de Tudo – um dos filmes favoritos do Oscar 2015 | Fik Dik

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