[Resenha] Foo Fighters em São Paulo: Eu fui

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O ano era 1999. Eu tinha 11 anos e estava naquela fase de não achar mais graça nos programas voltados para crianças. Estudava à tarde e saía da escola direto para a casa da minha avó. Certo dia estava mudando de canal quando parei na MTV e vi um clipe engraçadíssimo que se passava dentro de um avião. No dia seguinte, estava passando de novo. E assim foi por semanas, até descobrir que eu gostava muito dessa música chamada Learn to Fly e da banda, os Foo Fighters (veja o clipe aqui). Acabei me viciando na MTV, vi outros clipes deles e concluí que esse grupo era muito bom, não só na parte musical, mas na criatividade para fazer os vídeos.

E assim eu cresci. Sabia de cor as letras das músicas mais famosas, como Times Like These e Best Of You, mas acho que nunca dei a devida atenção para a banda. Eles vieram para cá pela primeira vez em 2001, no Rock in Rio, mas naquela época eu era muito nova e preferi ver a Britney Spears (acontece, né?). Só voltaram em 2012, para o Lollapalooza, mas não fui por achar que eu não teria companhia. Pouco antes desse show, meu padrasto decidiu dar uma chance para os Foo Fighters e também descobriu que as músicas eram muito boas. E ali eu prometi para mim mesma que iria de qualquer jeito no próximo show.

Essa promessa se concretizou ontem, quando eu finalmente assisti a um show deles. Posso dizer que a espera valeu muito a pena, porque nesse tempo todo eu decorei todas as músicas, vi várias vezes o documentário Back and Forth, que explica a história da banda, e fiz questão de parar todo domingo para ver a série Sonic Highways, criada para mostrar o processo de gravação do novo CD, em que cada faixa foi feita em homenagem a uma cidade dos Estados Unidos. Pronto, estava afiadíssima!

Minha cara de boba assim que cheguei no estádio

Minha cara de boba assim que cheguei no estádio

Ontem acordei no pique, passei o dia ouvindo Foo Fighters e cheguei no Estádio do Morumbi no momento exato de escutar o Kaiser Chiefs (que fez o show de abertura) tocar Ruby, I Predict a Riot e Oh My God, que eram as que eu mais queria ouvir. Nem mesmo a chuva foi um problema, porque o setor onde eu estava era parcialmente coberto e só minhas coxas acabaram encharcadas. E então, pontualmente às 21:15, Dave Grohl e sua turma entraram no palco.

Logo no início, quando eles abriram os trabalhos com Something for Nothing, eu já senti que as pessoas ao meu lado não estavam no mesmo pique. Enquanto eu me esgoelava e pulava feito doida (quem já foi comigo em show sabe que me transformo em outra pessoa), alguns continuavam sentados e sem prestar muita atenção. No meu setor, só tinha gente mais velha, crianças e um casal que se agarrou o tempo inteiro (nada contra, mas show do Foo Fighters não é balada, né?). Ali já me deu uma vontade louca de ir para o povão da pista, mas pelo menos tive muito espaço para dançar sem atrapalhar ninguém.

A sequência inicial só teve hit. Learn to Fly, aquela que me viciou na MTV, foi a terceira. Arlandria, uma das minhas favoritas do CD anterior, veio logo depois, assim como Congregation, minha segunda preferida do novo disco. Já estava numa felicidade suprema, ainda mais vendo o Dave Grohl interagindo tanto com a plateia. Aí veio uma interminável Monkey Wrench, que demorou muito, mas foi finalizada com uma das cenas mais lindas que eu (e os integrantes da banda) já vi na vida: o estádio inteirinho iluminado com luzes e lanternas dos celulares. Tão lindo que me arrepia até agora!

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E o que dizer do Vinícius (ou Zuvisis, como o Dave Grohl tentou pronunciar), um rapaz comum que subiu no palco para pedir a namorada Mônica em casamento? Chorei de verdade, ainda mais porque logo depois veio Wheels, uma das minhas músicas favoritas da banda. Como ela é parte da coletânea e muita gente que estava perto de mim não conhecia, eu praticamente cantei sozinha. Dava até para ouvir minha voz, algo que nunca tinha acontecido comigo.

Aí tivemos uma sequência de covers que eu, sinceramente, achei desnecessária. Tudo bem que o Dave disse que aquela era a forma que ele se divertia e a gente respeita o homem de qualquer maneira, mas ele acabou deixando de lado três músicas que foram tocadas nos outros shows da turnê. Entre elas estava In the Clear, a minha favorita do novo CD. Um dos poucos casos em que a gente escuta pela primeira vez e já gosta, sabe? Como já tinha visto o setlist dos outros shows, tinha certeza que ele ia tocar. No fim, fiquei com uma raivinha. Preferia mil vezes ter escutado essa música do que covers infinitos.

A turma de Dave tocou firme e forte por três horas e terminou com Best of You e Everlong (ambas maravilhosas!). Eles não voltaram para o bis, o que até achei bacana. E o discurso de agradecimento também foi muito legal. O criador da banda disse que gostou demais da energia do público, que talvez tenha sido a maior plateia para qual eles já tocaram na vida – 55 mil pessoas – e que, depois de tantas músicas, não dava para ir mais longe.

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Não sei vocês que também foram, mas fiquei com a impressão de que tivemos menos músicas porque participamos mais do show. Interagimos mais, chamamos atenção do grupo e eles entraram na nossa. O que, de certo modo, é muito legal e dá até um orgulhinho. Mal acabou e eu já fiquei com vontade de ver de novo!

Só que, dessa vez, fiz outra promessa. Mesmo cheia de dor nas costas, na garganta e nos pés, fiz um acordo comigo mesma de ir na pista e sentir a energia do povão da próxima vez. Espero que não demore muito e que eu possa cantar In the Clear para ser completamente feliz.

De qualquer modo, foi uma excelente forma de realizar o sonho de ver uma banda que conseguiu conquistar a minha atenção ainda pequena. Voltem logo!

Avaliação: ♥♥♥♥♥

(Fotos: IG, Arquivo pessoal e São Paulo Futebol Clube)
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